segunda-feira, 16 de abril de 2012

Por que sorrir se o céu já não mais me retribui com seu azul tranquilizante? Como não ser fria se o sol embaça-se por detrás de nuvens cinzentas? Como permanecer se o vento outonal é egoísta e carrega tudo consigo?
Restam cada vez menos flores, menos folhas; fica só essa casca seca e dura, com os galhos (braços) abertos sobre o nada, tentando manter - em vão- folhas que já estão destinadas a cair. E nada sobrevive ao vento de outono, nem mesmo esse tapete dourado que as folhas recém formavam ao meu redor.

"No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não conseguiu levar"


segunda-feira, 26 de março de 2012

Ain't no sunshine...

E foi como assistir o sol sumir, centímetro a centímetro, mais distante a cada piscar de olhos. Muito embora soubesse que o fim não tardaria, - e de tão próximo, o breu já não mais evitava borrar os alaranjados do céu- eu apenas consegui estagnar ao vê-lo partir.

Ele se foi, deixando para (em) mim uma noite longa e escura pela frente.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Fim?

Como consome a alma a dúvida instalada: é como observar a própria felicidade pendendo à beira de uma mesa, na eminência de movimento. Essa agonia corrosiva da espera pela queda, em que a brisa mais leve (ou até o mais simples descaso alheio) é capaz de fazê-la despencar.

Mas como explicar esse brilho que possuem os meus estilhaços de felicidade que repousam ao chão?

(Talvez a felicidade continue eterna, mesmo após todo o impacto...)

domingo, 28 de agosto de 2011

Como culpar o vento pela desordem feita,
se fui eu quem esqueceu a janela aberta?

Sobre indecisões...

Ah, esse coração imaturo que ainda não sabe ser claro ao expressar-se, essa cabeça intransigente que não admite ser deixada de lado nunca, essas palavras inúteis que não se organizam de forma esclarecedora...
Ah, essa batalha interna- e cansativa- que antecede a tomada de decisão.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

(des)ilusões.

Ainda me sinto como um gurizinho quando vejo algo brilhante em meio à escuridão. Por mais racional que seja a minha criança interior, a curiosidade e a fantasia ainda me instigam mais do que qualquer razão ou medo. Naquela pressa disfarçada, as pernas –bambas- caminham sem nem pensar nos passos em falso que se pode dar até que lá se chegue. O que importa mesmo é alcançar o brilho antes que ele ou ofusque os olhos ou apague-se de repente sem que se tenha a chance de chegar mais perto... Nem que seja para descobrir que, no fim, tudo não passava de um inútil caco de vidro.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O ciclo.

Junho anuncia seus primeiros dias com aquele típico ar gélido cumprimentando a face. Ah, essa neblina que ultrapassa o ar e invade os pensamentos, essa geada que devasta meu canteiro de ilusões. Não poderia eu conservá-las até a próxima estação?

“Eu tenho certo apego a essas sementes pobres que plantei mesmo sabendo que não chegarão a florescer”. O vento me reprime com um assovio.

“É verdade, eu tenho apego por que eu mesma as criei. Não importa que as estações as destruam... Há sempre novas estações e novas ilusões adiante.”

O mesmo vento que me afagou os cabelos, derrubou uma das poucas folhas que ainda agarravam-se aos galhos secos. E foi tão bonito ver aquela ilusãozinha desesperançosa planar livre pelo ar antes de (re)pousar no inóspito concreto.