terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Ânsia.
Venho acordando com um gosto amargo que me desce pelo êsofago: são as palavras que estavam na ponta da minha língua... É tarde demais para regurgitá-las.
sábado, 10 de janeiro de 2009
Desvantagem.
O tempo parece querer fugir de onde estou e correr sempre mais rápido do que posso agüentar, pra longe. É estranho saber que as semanas que se foram levaram consigo todas as minhas preocupações, antes tão insuportáveis.
O céu enegrece e clareia em questões de segundos e não me causa mais nenhuma mudança emocional: cansei de me deixar levar pelo clima. Em algum momento me anestesiaram e eu nem tentei relutar. As palavras, aquelas esquecidas dentro de mim, ainda parecem um tanto quanto adormecidas e me soam tão prematuras nessas linhas.
Estou eu aqui, tentando –em vão- acertar o ritmo de meus passos com pernas maiores do que as minhas.
O céu enegrece e clareia em questões de segundos e não me causa mais nenhuma mudança emocional: cansei de me deixar levar pelo clima. Em algum momento me anestesiaram e eu nem tentei relutar. As palavras, aquelas esquecidas dentro de mim, ainda parecem um tanto quanto adormecidas e me soam tão prematuras nessas linhas.
Estou eu aqui, tentando –em vão- acertar o ritmo de meus passos com pernas maiores do que as minhas.
sábado, 22 de novembro de 2008
O estilhaçar do cristal.
Por trás de cada cicatriz há uma história.
A minha, encontra-se proeminente na alma, gravada a finco por todas as mágoas. Cada uma das irregularidades arde, dói.
Foram todos aqueles dias, embriagada nas tuas palavras ilusórias e na esperança de teu ombro, teu colo, teu consolo. As repetidas vezes que, minha imaginação, fez tuas as mãos que me eram estendidas. As semanas em que minha presença lhe era descartável, invisível, supérfula.
Eu te juro, podia sentir a pá que enfincava-se na minha superfície, cada dia mais fundo. Ela jogava, então, tudo pro ar: meus sentimentos eram amontoados num canto. Desviar do monte ou fingir que não o vê –pisotear, isso sim-, apesar de insensível, é mais fácil do que sofrer junto, eu sei. Só que meu poço de lágrimas secou, e minha alma continua incompleta e machucada, porém a cicatriz já nem sangra -tanto. A espera por ti me flagela e cansei de estar vulnerável.
Por trás de cada cicatriz há uma dor.
A minha, encontra-se proeminente na alma, gravada a finco por todas as mágoas. Cada uma das irregularidades arde, dói.
Foram todos aqueles dias, embriagada nas tuas palavras ilusórias e na esperança de teu ombro, teu colo, teu consolo. As repetidas vezes que, minha imaginação, fez tuas as mãos que me eram estendidas. As semanas em que minha presença lhe era descartável, invisível, supérfula.
Eu te juro, podia sentir a pá que enfincava-se na minha superfície, cada dia mais fundo. Ela jogava, então, tudo pro ar: meus sentimentos eram amontoados num canto. Desviar do monte ou fingir que não o vê –pisotear, isso sim-, apesar de insensível, é mais fácil do que sofrer junto, eu sei. Só que meu poço de lágrimas secou, e minha alma continua incompleta e machucada, porém a cicatriz já nem sangra -tanto. A espera por ti me flagela e cansei de estar vulnerável.
Por trás de cada cicatriz há uma dor.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Palavras são capazes de preencher vazios, porém o tempo continua corroendo tudo que vê pela frente. Em teimosia, remendo cada cavidade gravada em minha alma com os fios tênues dos teus períodos sonoros – tão ríspido aos meus ouvidos. Toda a estupidez servia para materializar tua ausência e de alguma forma, manter-te viva.
O sonhador cochilara, de novo.
O sonhador cochilara, de novo.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Desilusão.
Sinto-me como um vira-lata a farejar qualquer canto em busca de algo verdadeiro. Apenas consigo encontrar os odores do passado e reacendo-os: reviro cada abraço, cada palavra, cada alma. É somente em minha memória que continuam vivos, conformei-me.
Preciso agora de verdade concentrada, injetada nas veias -nem que seja sintética. Qualquer coisa que me livre dessa dependência da sinceridade e constância alheia.
Juro que sabia que nada seria eterno, porém idealizar sempre foi a pior das minhas manias. Elis já alertara-me: o sonhador tem que acordar. Cedo ou tarde.
Preciso agora de verdade concentrada, injetada nas veias -nem que seja sintética. Qualquer coisa que me livre dessa dependência da sinceridade e constância alheia.
Juro que sabia que nada seria eterno, porém idealizar sempre foi a pior das minhas manias. Elis já alertara-me: o sonhador tem que acordar. Cedo ou tarde.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Bússola.
O sol poente a observava de longe e emprestava-na seus últimos instantes de luz. Seu tempo havia acabado: não poderia ali permanecer inerte para sempre. Seus pés, independentes, a guiavam para qualquer lugar a fim de afastá-la do turbilhão de pensamentos que há tantas horas a hipnotizavam. Já perdera tempo demais com a autoflagelação.
A sua culpa ofuscava no céu –abandonada- em meio às primeiras estrelas e bem como elas, continuaria a brilhar mesmo que morta estivesse. Precisaria ainda de seu brilho para, então, orientar-se.
A sua culpa ofuscava no céu –abandonada- em meio às primeiras estrelas e bem como elas, continuaria a brilhar mesmo que morta estivesse. Precisaria ainda de seu brilho para, então, orientar-se.
domingo, 12 de outubro de 2008
Requisição.
O assovio dos pássaros que recém acordavam e a luminosidade -em tons alaranjados- do clarear daquele novo dia resgataram as palavras que encontravam-se presas em sua mente. Arrependida, a brisa suave devolvia tudo que outrora havia dela roubado.
E o som que antes conseguia ecoar em seu corpo, abafara-se: já não estava mais oca.
E o som que antes conseguia ecoar em seu corpo, abafara-se: já não estava mais oca.
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